Qual é o Mistério de Elêusis?

(Por Indianara Pereira de Melo)

Falarei a quem é lícito; cerrai as portas aos profanos.

(ditames órficos)

Perséfone- Tarentum 1Na era clássica helênica, a era em que os mitos floresciam, havia uma cidade nas cercanias de Atenas conhecida como Elêusis. Esta localidade, primordialmente agrária, era sede de uma das maiores escolas de mistérios que havia na antiguidade. Era um privilégio e uma honra ser iniciado por ali; haviam diversas promessas para aqueles que sobreviviam aos treinamentos e aos testes iniciáticos. Talvez a maior dessas promessas era a de conviver cara a cara e participar dos mistérios com as divindades supremas do local: Deméter e sua filha Koré/Perséfone.

Mesmo na atualidade pouco se sabe de fato sobre os ritos. Talvez sejam os mistérios mais bem guardados do mundo inteiro. Todos os anos muitas pessoas vinham de diversos outros estados Gregos, e do mundo conhecido como um todo, na esperança de se tornar um postulante aos mistérios e comungar deles e, apesar das poucas informações que se tem sobre as celebrações, nenhum dos iniciados jamais falou algo sobre o que acontecia dentro dos portões do templo durante as celebrações maiores. Os dados que se tem hoje são uma mistura de reconstrução daquilo que pode ter havido (com evidências arqueológicas inclusive) além do pouco que sabe através de hinos, fragmentos de escritos de filósofos e grandes nomes da época, bem como alguns escritos por padres da primeira era da cristandade, numa tentativa de malignizar tudo o que “ocorria” ali (talvez uma tentativa de dar ares diabólicos no intuito de converter mais gente à fé cristã…), o fato é que havia uma severa pena de morte imposta a todos aqueles que não respeitassem os segredos das celebrações.

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Mas o que sabemos hoje sobre os Mistérios de Elêusis? Em primeiro lugar, sabemos que o ponto central é o mito de Deméter e sua filha Koré-Perséfone, mito que já é de conhecimento de muitos e que acredito não haver necessidade de repeti-lo aqui em sua íntegra. Em segundo lugar, sabemos que os ritos eram principalmente de cunho prático (teleté), secretos (orgíai) e envolviam sujeitos que já haviam sido iniciados (mýstai) e aqueles que ainda eram “brotos novos” (bachkói). Além disso sabemos também que haviam “dois” grandes momentos: Os Mistérios Menores, abertos à população em geral e, especialmente, aos postulantes à iniciação num grau mais avançado, e os Mistérios Maiores, que ocorriam dentro do templo das Deusas em Elêusis e que este momento das celebrações era fechado para os iniciados, apenas. Acredita-se que durante ambas as celebrações, que tinham um caráter anual, existiam partes de dramatização ritual que visavam colocar o homem em contato íntimo, um estado de unicidade com a divindade. Era através da vivência do illo tempore, como denota Eliade (2010), que o homem conseguia comungar com a divindade e fazer renovar seu universo. Para além disso, os Mistérios celebrados em Elêusis, apesar de serem profundamente agrários em seu cerne, funcionaram como uma complementação da religião padrão; sem jamais usurpar, ou pretende-lo fazer, em relação à religião praticada na pólis, o que pode nos levar a concluir que, de certa forma, os ritos mistéricos tinham alguma coisa da ordem da necessidade psíquica. ­­­­

Porém, para que entendamos qual é a importância psíquica dos mistérios, em especial dos celebrados em Elêusis, é necessário que perscrutemos mais de perto os aspectos que conhecemos dos ritos. De acordo com Brandão (2012) e Kerényi (2015) a palavra grega μυστηριον (mistérion) significa algo próximo à “coisa secreta”, “ação de fechar”; disso podemos compreender que os aspectos primordiais do rito eram secretos, velados àqueles que não eram iniciados, porém, também podemos conjecturar o motivo desse mistério, desse segredo e o impacto que isso tinha na vida individual de cada sujeito.

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De acordo com Brandão (2012), o prelúdio dos postulantes à iniciação em Elêusis começava com os festivais em Agra, subúrbio de Atenas, no mês Antestérion, o equivalente ao que hoje seria entre fins de fevereiro e início de março. Os ritos celebrados compreendiam uma série de ações e sacrifícios que visavam a purificação dos postulantes e eram conduzidos pela figura do mystagogo (aquele quem inicia nos mistérios). Acredita-se que algumas dessas ações eram constituídas por dramas ritualísticos e mimeses populares do mito de Koré-Deméter. Cerca de 6 meses após esses ritos preliminares aconteciam os rituais principais em Atenas e Elêusis, no mês de Boedrômion, equivalente ao final do mês de setembro e a metade inicial do mês de outubro, os quais presumiam a participação nos ritos anteriormente realizados em Agra. Assim sendo, para postular uma iniciação em Elêusis, era necessário participar do dos ritos anuais do calendário interdependente das cidades. Autores como o próprio Brandão (2012), Kerényi (2015), Vernant (2012) e Eliade (2010) atestam haver graus de iniciação que, partindo de sua etimologia, podemos começar a compreender um pouco mais a hierarquia eleusina e o próprio processo iniciático; são eles: o primeiro grau da iniciação, os teleté (telein: executar, realizar, cumprir / aqueles que executam); logo após, o segundo grau, epoptéia (epoptéuein: observar, contemplar / aqueles que contemplaram). Havia um grupo relativamente grande que estancava no primeiro grau, tendo apenas executado os rituais básicos em Agra e um grupo menor, mais seleto, que havia sobrevivido aos ritos que se processavam dentro dos muros do santuário principal em Elêusis e que, pela lógica, haviam contemplado os mistérios maiores.

Assim as celebrações dos Mistérios Maiores iniciavam-se com a busca dos hierá (objetos sagrados) em Elêusis e seu transporte e acolhida no eleusion, em Atenas, pelas sacerdotisas de Atená. No dia seguinte, o mystagogo e o hieroquérix (anunciador dos mistérios) lembravam a todos os interditos à iniciação e então anunciavam o momento de purificação nas sacras águas de Posídon, “αλαδε μυσται!” (“hálade, mystai!”), “ao mar, iniciados!” e assim todos os iniciados, cada um portando um leitão, mergulhavam no mar com o intuito de purificar-se. Após esse momento, os leitões eram imolados em honra das duas deusas de Elêusis, era então feita uma pausa de dois dias para as celebrações dos ritos de Asclépio, aos quais findos estes, ao alvorecer deste terceiro dia iniciava-se uma procissão guiada pelo hierofante, mystagogo, sacerdotisas, iniciados e postulantes, em direção ao santuário em Elêusis. Estes primeiros portando as hierá e sendo acompanhados pelo público em geral. A procissão seguia sendo encabeçada pelo sacerdote de Íaco, que exortava à multidão com os gritos “Iakkhé, Iakkhé!”, [1]na qual a multidão mimetizava o desespero da busca por Koré; de archotes em mão, gritando e gemendo em busca da filha perdida. Neste momento é interessante acrescentar um adendo.

Muitos confundem a figura de Íaco e de Eubouleu com a figura de Dionísio e acreditam ser este deus último o centro dessas celebrações. Apesar de Eubouleu ser um dos epítetos de Dionísio para os órficos (significando algo como próximo a “bom conselheiro”) e Íaco ter a mesma característica de destruidor da ignorância, por ser um portador de archotes, um guia, iluminador e libertador, é imprescindível denotar que ambos não são os mesmos e muito menos são centrais nos mistérios eleusinos; é preciso lembrar que os dois primeiros, Íaco e Eubouleu, são provavelmente divindades menores da região de Elêusis e que foram imageabsorvidos nos cultos, especialmente pelo fato do seu papel dentro do mito como porta archotes e guias da deusa em busca de sua filha, função atribuída principal e comumente à Hécate, e que o último é uma divindade agrária também (do vinho, do êxtase, etc.) e tem relacionamento com outras divindades agrárias, porém não é celebrado em Elêusis[2]. É essencial também lembrar que os Mistérios gozaram de prestígio ante o mundo helênico por cerca de dois mil anos, o que não impede que tenha havido certo sincretismo com outras escolas mistéricas (a ver o orfismo e o dionisismo)[3]. Sobre o orfismo, por exemplo, é possível comentar que a geração de Dionísio-Zagreu se dá pelas núpcias inefáveis de Zeus e Perséfone, o que o tornaria filho desta. Conta-se que o final das celebrações em Elêusis contavam com milhares de archotes acesos (que faziam o templo parecer estar pegando fogo), e que o hierofante anunciava o nascimento sagrado após o hierogamos encenado pelos sacerdotes; “A augusta Brimo deu à luz o sagrado Brimo, a Forte deu à luz o Forte!” (Des Place, 1969, apud Carvalho, 2010). Entretanto Brimo é um epíteto de origem Trácia, que geralmente quer dizer algo como “raivoso”, ou “terrível”, e é um epíteto comumente usado para uma imensidão de divindades, especialmente aquelas com ligação ao mundo ctônico. Assim, é mais provável que tal proclamação sagrada estivesse se referindo à Perséfone e os iniciados durante os Mistérios, pois ela, a Terrível, havia gerado os Poderosos por meio do renascimento iniciático, “esse filho ‘nascido’ ou ‘renascido’ em meio às chamas dos archotes, que iluminavam o Telestérion, seria o mýsteis, após sua morte iniciática.”(Brandão, 2012, p. 320). Assim, podemos concluir que essas influências dentro do culto eleusino são muito tardias dentro do seu histórico de existência e, possivelmente, não presentificam divindades como compreendidas em outras redes filosóficas, tais como orfismo. Porém, os mistérios eleusinos podem ter bebido da sua influência e terem colocado o papel sacrificial da divindade atrelado ao papel sacrificial do próprio iniciado, visando seu renascimento iniciático. Em suma, de igual maneira, existem diversos “João” no mundo e todos são pessoas diferentes, mesmo podendo ter uma semelhança aqui e acolá.

Então, após chegarem ao templo em Elêusis os postulantes eram admitidos no santuário e havia um período de sacrifícios e jejum austero. Porém, o que ocorria de verdade dentro do santuário a portas fechadas permanece um segredo, um mistério. Supõe-se que haveriam mais momentos nos quais o drama mítico seria revivido e reencenado até que houvesse a apoteose e o reencontro das duas deusas, e então o mistério seria desvelado para que os iniciados pudessem contemplá-lo.

O que sabemos constitui numa ínfima parte do que provavelmente eram os ritos e as celebrações, porém, a nível simbólico, é possível que tracemos alguns paralelos para que possamos descortinar, pelo menos a nível psíquico, a relevância desses ritos.

imageO processo iniciático das religiões ao redor do globo detém alguma semelhança entre si, posto que são em sua base arquetípicos. A grande maioria deles pressupõe o nascimento do rito como que passado por um deus, ou por uma hierofania, e sua continuidade através desse primogênito humano que fora iniciado naquele rito. Assim, o postulante à iniciação passa por um processo de purificação e treinamento prévio antes de passar pela cerimônia, pelo rito iniciático em si. Após a iniciação, o sujeito que fora modificado deve renascer e retornar à sua comunidade com as contribuições advindas do outro mundo, o mundo divino. Todos esses atos visam a sua preparação para entrar em contato com esse outro mundo e, pelo menos durante a execução desse ato, reunificar polos completamente antagônicos; o mundo do homem e o mundo dos deuses. O que os antigos chamavam de deuses ou daemones, a psicologia moderna chama de produtos do Inconsciente Coletivo e/ou arquétipos. Quando dizemos que a função principal do rito é colocar em contato esses polos opostos, estamos dizendo que este propósito é, pela via simbólica, realizar a função transcendente e, através da energia desprendida, provocar uma modificação na personalidade total daquele sujeito e, para que isso aconteça, é preciso que o sujeito esteja presentificado por inteiro no processo. Isso só é possível através do símbolo e da função transcendente.

De acordo com Jacobi (1990) o símbolo é algo que, ao mesmo tempo em que mostra aspectos mais compreensíveis, é também dotado de um significado, um sentido mais profundo e invisível, este somente disponível ao homem em sua realidade psicóide, ou seja, numa realidade que vai além da compreensão consciente lógica (logos, palavra), mas que envolve em seu íntimo processos emocionais e afetivos; uma realidade que resguarda em si aspectos do inefável. Assim é possível perceber que em ambas as celebrações, as Maiores e Menores, deveria haver um comprometimento de corpo e alma do sujeito; ele deveria purificar-se, realizar os atos, sacrificar-se para finalmente poder contemplar os mistérios. Ele deveria estar inteiro no processo desde o tenro início para que a função transcendente e a emersão do símbolo surtisse o efeito desejado, a saber, seu renascimento e seu acessoimage às dádivas provenientes desse ato. Ele deveria estar inteiro para postular a presença e comunhão com as divindades, “O mistes (μυστης) sofre as Misterias; torna-se seu objeto, mas também toma parte nelas. (Kerényi, 2015, p. 192), ou seja, para que uma real transformação ocorresse, era necessário que o sujeito se implicasse no seu processo e que buscasse transformar-se não apenas pelos atos ou palavras que ali se ouviram e foram pronunciadas, mas também pela via das emoções e das suas ações mediante a presença do símbolo, “Certas coisas só podem se tornar conscientes caso o indivíduo se disponha a experimentá-las e vive-las. Intelectualização e filosofia não bastam!” (von Franz, 2015, p.39). A energia psíquica pode ficar estagnada em alguns momentos ou em alguns pontos, por isso o símbolo é um ótimo mecanismo da dinâmica energética da psique, pois ele funciona no esquema de tensionar e soltar, de criar e recriar imagens simbólicas, representações para uma melhor administração psíquica.

Através dessa função mediadora do símbolo, era e ainda é possível compreender a relevância dos Mistérios Eleusinos; eles alocam o sujeito frente à uma renovação vital necessária, demandada não somente em vistas das necessidades agrárias da comunidade, mas também por seu próprio psiquismo. A vivência e participação nos Mistérios, para além da boa ventura no mundo dos mortos, traziam aimage renovação para a vida do iniciado. Da mesma forma que as diversas ações e momentos ao longo dos festivais serviam não só para purificar o postulante, mas prepara-lo para a participação e contemplação dos mistérios. Assim quando olhamos as imagens dos interditos (não ter assassinado ninguém e falar grego), a purificação nas águas salinas, o sacrifício dos leitões (uma própria substituição dos iniciados neste momento), as procissões, o porte e manuseio das hiera, bem como todo o mitodrama que ocorria nos dias das celebrações, especialmente dentro do Telestérion, e para além do simbolismo sexual da fertilidade proposta pelos ritos agrários, fica nítido o sentido primal por detrás desses atos preparatórios: vida alimenta-se de morte, o relaxamento segue-se à tensão, e para que continuemos vivendo em qualquer estado que seja, é necessário que convivamos harmonicamente com a putrefação e com a morte. É um ciclo infinito de morrer e renascer, de destruição e renovação. De tal forma que os Mistérios proporcionavam aos postulantes e iniciados uma oportunidade de unir-se às Deusas em comunhão divina e torna-los contemporâneos das cosmogonias e, por conseguinte, lhe conferindo nova vida (ELIADE, 1992, 2010). Através dos Mistérios os iniciados buscavam não só a fertilidade dos seus campos e plantações, mas também dos seus aspectos internos, de sua própria psique; o Mistério é incognoscível per se, pois ele é o que cada um apreende da experiência comum vivida; ele é a própria soma das experiências e contemplações do sujeito. Ele é o sujeito presentificado no momento no qual a função transcendente se faz presente também.

Assim, o símbolo se interpõe entre a realidade psíquica e a realidade externa, colocando-se frente à necessidade psíquica de eterna renovação, exposta com primazia pelo mitologema do rapto e retorno de Koré-Perséfone. Independentemente de como de fato ocorriam as celebrações dentro do santuário de Elêusis e do quanto de fato sabemos dos ocorridos, a sua mensagem é clara, porém, o seu mistério, como a própria palavra diz, é velado e secreto. Cada um deveria vive-lo e senti-lo em si, assim como cada um deve viver e sentir o seu mistério. De todas as coisas, o que deve ser guardado e levado adiante é que devemos sempre buscar a renovação, compreender e aceitar que ela passa por momentos de morte e que ambas são necessárias à manutenção da existência; um equilíbrio dinâmico, o mais adequado ao macro e microcosmo.

Referências bibliográficas

BRANDÃO, J. S. Mitologia grega, vol I, Rio de Janeiro: Vozes, 2012;

CARVALHO, S. M. S. Deméter e os Mistérios Eleusinos. In: ROSA, E. B. et all. Hinos Homéricos: tradução notas e estudos. São Paulo: UNESP, 2010, p.270-325;

ELIADE, M. Mito do Eterno Retorno, São Paulo: 1992;

_________ O sagrado e o profano: a essência das religiões, São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010;
_________ História das Crenças e das ideias religiosas, vol. I: Da idade da Pedra aos Mistérios de Elêusis. Rio de Janeiro: Zahar, 2010;

FRANZ, M. L. O Asno de ouro: O romance de Lúcio Apulieo na perspectiva da Psicologia Analítica Junguiana. Rio de Janeiro: Vozes, 2015;

JACOBI, J. Complexo, Arquétipo e Símbolo, São Paulo: Cultrix, 1990;

KERÉNYI, K. Mistérios dos Cabiros: Introdução ao estudo dos Mistérios antigos. In: Arquétipos da Religião Grega, Rio de Janeiro: Vozes, 2015, p. 186-219;

ORDEP, S. Hinos Órficos: Perfumes, São Paulo: Odysseus, 2015;

VERNANT, J. P. Mito e Religião na Grécia Antiga, São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012.


[1] É interessante lembrar que alguns autores identificam a sonoridade da palavra a uma espécie de lamentação e choros estridentes, muito comum também nos cultos dionisíacos. Para maiores informações aconselha-se a leitura de “The Mourning Voice – Na essay on Greek Tragedie, vol 58” – Nicole Loraux.

[2] Postula-se inclusive o tabu de não ofertar vinho à Deméter, exposto principalmente pelo trecho em seu hino Homérico “…Dava-lhe Metanira um copo de vinho doce como mel, tendo-o enchido mas ela recusou. Pois não lhe era permitido, dizia, beber vinho vermelho; exortou-a, então, a dar-lhe cevada e água para beber, tendo-as misturado com tenro poejo.” (Hino Homérico à Deméter. Frag. 206-209)

[3] Para algumas ampliações e aproximações dessas escolas de mistério, recomenda-se a leitura de Jean-Pierre Vernant.

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Indianara Pereira de Melo (CRP 16/4364)

Psicóloga Clínica de Orientação Junguiana, Especialista Teoria Junguiana pela Clínica Psiquê/Faculdade Hélio Rocha (BA). Atuou ministrando aulas enquanto especialista na teoria Junguiana. Tem experiência na área da Psicologia Social e Dependência Química.Realiza atendimento a crianças, adolescentes e adultos e é facilitadora do Grupo de Estudos – Kairós e da Vivência Terapêutica – “Roda das Deusas”.

Contato: (27) 9.81325362/9.97802991. /e-mail: indianarapmelo@psicologiaanalitica.com

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Amazonas Contemporâneas

 

Por Indianara Pereira de Melo

É do conhecimento comum que a história se repete em ciclos. Particularmente, prefiro a imagem da espiral. Para que possamos compreender quais os passos a serem dados adiante, ou mesmo traçar algum prognóstico de alguma situação, é necessário que olhemos na história pregressa o que nos trouxe até este ponto. Quando se trata sobre o papel da mulher no mundo contemporâneo, é perceptível que muita coisa mudou desde a queima de sutiãs, passando pelo grito pelo direito ao voto e o advento da pílula anticoncepcional, até chegarmos no que está sendo popularmente conhecido e denotado como uma espécie de movimento feminazi. Porém, ao que devemos essa mudança extrema de comportamento e essas evoluções na psique feminina?

Por mais que anos e séculos tenham se passado, a psique humana não mudou muito desde a aurora de seus tempos. E isso quer dizer que continuamos sendo regidos e achando que regemos nosso comportamento primordial, por padrões de comportamentos internos conhecidos na Psicologia Analítica como arquétipos. Jung (2012) define os arquétipos como formas primordiais de transmissão de conteúdos que fazem parte da coletividade, ou seja, de todo o processo humano. São essespadrões de comportamento que são transmitidos ao longo do tempo e sobrevivem e se renovam com o passar das gerações e alterações da forma como se expressam. Pode parecer antagônico, mas não o é. Por exemplo, existem formas diferentes de se encarar aspectos de cunho Paterno, suas representações, sua imagética, o que se espera de um pai e etc. Porém, está intrínseca a ideia básica de que em todo lugar onde há um ser humano, há a experiência em torno da paternidade e isso é basicamente a definição na prática do que é arquétipo; experiências humanas que foram sendo repetidas ao longo das gerações e que geraram uma marca, um typos na psique humana e foram carregadas e passadas adiante ao longo dos tempos.  O arquétipo é em si uma grande potencialidade, porém nada mais é do que isso: potencialidade.

Dentro de toda representação psíquica Junguiana, os arquétipos localizam-se no Inconsciente Coletivo. Este último é o portador misterioso e paradoxal de toda problemática e história psíquica humana. E por estar aí alocado é que a forma que o arquétipo tem para ser notado é através da emersão à consciência: pelas representações mitológicas, contos de fadas e das manifestações culturais de um povo. Esse dinamismo trata da emersão dessa potencialidade traduzida na forma dessas representações culturais, culminando na produção do que chamamos deSímbolo. Este último nada mais é do que a possibilidade real, encarnada numa representação, numa imagem de qualquer natureza, da união dos opostos na psique.

Para a Psicologia Analítica, o símbolo faz parte do funcionamento compensatório e autorregulador da psique e seu dinamismo envolve a junção dos polos opostos nesta mesma psique, a compreender o Inconsciente e o Consciente. Como sua própria etimologia traz, símbolo significa unir, conjugar (KAST,2001); é o casamento perfeito entre potencialidades internas e externas, afim de colocar novamente a energia psíquica para fluir. Como se através dos arquétipos, excitados por alguma ação externa ou interna, movimentassem-se em direção à consciência e, ao chegarem nela, tomassem uma forma e carregassem uma grande carga de energia psíquica, que é desprendida no momento em que tocam à consciência e emergem como uma representação qualquer. Assim, a própria fabricação de símbolos e sua existência é necessária à saúde psíquica humana.4

Neste ponto, valho-me do mito de Hipólita, tida como Rainha das Amazonas, que fora derrotada por Héracles no seu nono trabalho. De acordo com Brandão (2012) tal tarefa lhe foi dada a pedido de Admeta, sacerdotisa de Hera, cobiçosa pelo cinto da rainha das amazonas. Este cinto havia sido um presente do deus Ares, deus das querelas aguerridas, para Hipólita, tida como sua filha, e figurava como um símbolo de poder e reinado por direito sobre as amazonas. O herói parte acompanhado de outros heróis gregos, Teseu inclusive, para a terra das amazonas e lá chegando consegue conversar com a
rainha e obter-lhe a promessa do cinto. Entretanto, Hera, disfarçada de uma amazona, incita a batalha entre os gregos e as guerreiras, de forma que Héracles, achando que havia sido enganado pela rainha Hipólita, rapta suas irmãs e mata-a, pedindo à nova rainha Melanipe como resgate pelas mulheres raptadas o cinturão em questão, objeto que é cedido em troca das guerreiras.

Vê-se nos âmbitos externos a acirrada querela entre homens e mulheres, de modo que as mulheres hoje mostram-se mais combativas, chegando ao ponto da misandria. Mesmo aquelas que enxergam as demasiadas intervenções de suas irmãs de luta, são obrigadas a calar-se, pois nenhuma mulher pode calar a boca de uma outra mulher.Não parece haver mais um ponto comum de acordo ou de possível diálogo, tal qual houve entre os heróis gregos e as amazonas inicialmente. Parece haver um espaço de não espaço, uma realidade líquida como defende Bauman, onde discursos são expelidos, vomitados e pouco diálogo real acontece. Invoco aqui o mito das amazonas e de sua rainha para vivificar e apontar que novamente a história parece estar se repetindo, pelo menos a nível psicológico.

De acordo com Gheerbrante & Chevalier (2009), as amazonas eram tidas como mulheres guerreiras que se auto governavam e que não permitiam a presença de homens em suas tribos. Alguns poetas antigos dizem ainda que eram tão habilidosas nas artes da guerra que eram favoritas do deus Ares, tendo este deus tido com uma de suas rainhas quatro filhas: Hipólita, Melanipe, Pentesileia e Antíope. Posteriormente, Hipólita viria a governar sua tribo e, após sua morte e rapto de suas irmãs, esse título e fardo passa a sua irmã Melanipe. Os autores ainda denotam que as amazonas eram conhecidas por cultuar em especial Ártemis, dada a semelhança de seu culto e iconografia aos seus estilos de vida. Diz-se que chegavam a extirpar um dos seios para terem melhor mobilidade com a lança e com o arco, fato que é parcialmente confirmado pela iconografia existente até os dias de hoje na arte.3

Da mesma forma que as amazonas de outrora, esse séquito militante do movimento feminista parece estar muito arraigado na vivência areica e artemísia de sua psique; expurgam-se os homens e qualquer coisa que lembre o masculino e entram-se em disputas acirradas, onde muitas vezes falta a lógica e a estratégia, aspecto atenéico tão comum. Nessa emersão tão profunda, nessa quase possessão arquetípica, esquecem-se que muitas vezes é necessário fazer uma aliança para evitar uma maior tragédia e, tal como Hera disfarçada de amazona, incita as guerreiras para a batalha contra os heróis gregos. Parece haver toda uma frustração, uma angústia e raiva por todos os anos estando longe da igualdade com o masculino e que está sendo desencadeada na contemporaneidade contra esse mesmo masculino. Esse movimento, esse brado pelo combate é, na verdade, uma corrida a largos galopes para o extremo oposto da subserviência e da submissão a qual foram obrigadas ao longo dos séculos.

Ao tomarmos a mitologia como um grande exemplo de representação arquetípica, ou seja, simbólica,  é possível perceber um movimento inverso, um correr ao contrário, das vivências e experiências do que é o feminino contemporâneo em relação a toda uma construção histórica predominantemente patriarcal. Esse movimento psíquico é conhecido como enantiodromia. Jung toma emprestado o termo grego para referir-se a esse movimento de correr para o extremo oposto antes de conseguir achar o balanço correto e retomar o equilíbrio psíquico adequado; que é dinâmico e não estático,

Quanto mais o nível da carga energética, tanto mais atitude repressiva assume um caráter fanático e, por conseguinte tanto mais se aproxima da conversão em seu oposto, isto é, da chamada enantiodromia. Quanto maior for a carga da consciência coletiva, tanto mais o eu perde sua consciência prática. (Jung, 2012, p. 169)

2Ocasionando assim uma certa falta de reflexividade e o nivelamento pelocomportamento do coletivo. Ao incitar a guerra entre gregos e amazonas, estas últimas acabam por perder, não por serem fracas ou menores do que os heróis gregos, mas porque recusaram-se a reconhecer sua incompletude e fazer uma aliança sadia e dialética e tornarem-se, de certa forma, mais completas.

Ao olharmos um pouco mais de perto o mito, vemos que é um dos 12 trabalhos outorgados à Héracles a obtenção de tal cinto. Alocado como o Nono trabalho, esse parece ser mais um que demandaria muitos recursos, negociação e, talvez, luta. Porém o que acontece, a princípio pelo menos, é o contrário. Héracles consegue a promessa da rainha que obterá o cinto. Ao observarmos a representação do número nove em algumas culturas, chegamos a alguns pontos interessantes. Tal número parece estar ligado à perfeição e à completude. É o número correto da gestação humana, é o número das Musas, filhas de Zeus, e detentoras de toda arte e eloquência e forma de comunicação humana; é também o número de ciclos celestiais e infernais para algumas culturas, tais como a asteca e partes da cultura chinesa (CHEVALIER & GHEEBRANT, 2009). Para além disso, o número nove, apesar de ser considerado um número masculino, por ser um número ímpar, é também considerado um número feminino, pois associa-se facilmente à ideia da divindade feminina tríplice, posto que nove é 3×3, ou seja, é passivo e agressivo em si. Além disso, o número 9 encerra em si o conceito de completude e reinício, pois após ele há o número zero e assim é um final e um recomeço de ciclos.

O número nove é também reconhecido como um número que induz à iniciação; os Mistérios de Elêusis, mistérios que celebravam o feminino, a morte e o renascimento, iniciavam seus candidatos num período de nove dias; os romanos celebravam uma festa de purificação para os meninos quando estes completavam nove dias de nascido. Em suma, o número nove “Simboliza a própria jornada do iniciado rumo à autocompreensão (…). O iniciado também precisa, no fim, voltar a si mesmo (Nichols, 2007, p. 179), de  maneira semelhante à mensagem transmitida pelo nono arcano do tarô ‘O eremita’, que induz a uma jornada de busca interna, afim de religar novamente as pontas que estão soltas na psique. É possível dizer então que o nono trabalho encerra em si uma busca pela completude, pela conjunção e casamento das forças masculinas e femininas internas que são reforçadas externamente pela imagética do cinturão portado por Hipólita.

Como já dito, o cinturão fora um presente do deus Ares à rainha das amazonas, sua filha Hipólita. A imagem do cinturão perpassa diversas culturas e em grande parte delas possui um significado análogo ao do anel: uma aliança entre o portador do cinto e aquele que o ofertou. O cinturão denota um status, é também um símbolo de poder visível aos outros, uma marca indelével e amplamente visível de um posto ocupado. É em si mesmo uma outra grande representação do poder. Em si mesmo, o cinto possui duas características: o ligar e o religar.

Ao religar (atar, ligar bem), o cinto tranquiliza, conforta, dá força e poder; ao ligar (apertar, prender), ele leva, em troca à submissão, à dependência e, portanto, à restrição – escolhida ou imposta – da liberdade. (Chevalier & Gheerbrant, 2009, p. 245)1

Ao deter tais características, a representação do cinturão expressa, antes de tudo, um símbolo para um relacionamento, um símbolo da aliança, um comum acordo existente; a materialização de um compromisso. Quando Héracles obtém de Hipólita a promessa do cinto, obtém dela, na verdade, uma promessa de aliança, ao passo que ela abdica de bom grado de seu posicionamento enquanto amazona, em prol dessa aliança com o masculino. Ao abdicar de seu cinturão, Hipólita promove e estimula a conjunção pacífica com o masculino, ela possibilita a coniunctio, procurando evitar o conflito que parecia ser certo. Todavia Hera frustra os planos de ambos e acaba por incitar o conflito. Por que a deusa do casamento e da feminilidade, soberana do Olimpo, atrapalharia uma aliança digna e justa, feita de comum acordo?

Além de toda irritação e mágoa por Héracles ser a materialização do rompimento de seus votos, pois este é fruto de uma união ilícita, há também o desejo de que haja a morte dessa mulher viril, masculinizada ao excesso, para possibilitar uma união entre o intrinsecamente feminino e o intrinsecamente masculino (BRANDÃO, 1991). Então, numa tentativa de possibilitar uma união lícita, através da morte desse excesso do masculino em Hipólita, Hera acaba por estragar os próprios planos quando se deixa cegar pela raiva e frustração que Héracles representa frente à sua união lícita com Zeus. Assim, é possível traçar um paralelo com a situação contemporânea dentro da exarcebação do movimento feminista, culminando no séquito das feminazi.

Da mesma forma que as amazonas, numa tentativa de exaltar em excesso o feminino, essa parcela extremista do movimento feminista acaba criando uma caricatura de um feminino viril. Na tentativa de fazer com que tudo gire ao redor do feminino e tenha o feminino enquanto alpha e ômega, tais sujeitos acabam assumindo uma postura extremamente briguenta e masculinizada, indo para o extremo oposto da subserviência; quase uma caricatura de um moleque macho (conforme é dito jocosamente acerca das meninas que brincam como os meninos, no Nordeste do Brasil). Criam uma aliança com o aspecto aguerrido irracional areico e, assim como Hipólita uma vez, usam de bom grado o cinturão concedido pelo deus. Entretanto, não conseguem trabalhar e reconhecer que para haver uma melhora de situação e uma evolução psíquica/social/cultural é preciso reconhecer a importância do outro, do masculino real e abdicar dessa masculinização, desse excesso de virilidade em prol de uma real conjunção, de uma real coniunctio, e acabam tomadas por toda raiva, frustração e desejo de vingança contra o masculino.

Mitos e contos não são apenas histórias, são expressões travestidas de cultura, de uma realidade psíquica de um povo; elas detêm em si as dicas do que está acontecendo, sempre aconteceu e como acontecerá. Quando elas conseguem tocar o sujeito, elas promovem uma renovação e indicam uma possível resolução a um problema existente e, muitas vezes, um possível prognóstico. Se olharmos com atenção, o movimento psíquico é cíclico e espiral. Então, tal como o mito, talvez essa guerra toda seja necessária para expurgar os fantasmas do ressentimento contra opatriarcado opressor. Porém, é necessário que enxerguemos como toda essa história se desenvolveu até chegar ao fim; foi necessário a morte da rainha e o rapto de duas princesas amazonas antes que uma terceira pudesse ceder novamente de bom grado o cinturão ao herói. Quantas princesas, quantas potencialidades mais teremos que perder para perceber que provavelmente o mais sensato é compartilhar e conjugar? Talvez, o mais sensato mesmo seja abdicar do desejo cego e irracional de poder e compartilhar os aspectos necessários à evolução de ambos os gêneros, em direção à completude e uma melhor convivência. 

Referências Bibliográficas

CHEVALIER, J. & GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 24ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009;

BRANDÃO, J. S. Mitologia Grega, vol. III. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012;

____________ Dicionário mítico-etimológico de mitologia grega. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991;

JUNG, C. G. A natureza da psique. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012;

_________Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012;

KAST, V. Sonhos: A linguagem enigmática do inconsciente. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010;

NICHOLS, S. Jung e o Tarô: uma jornada Arquetípica. São Paulo: Cultrix, 2007.

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Indianara Pereida de Melo (CRP 16/4364)

Psicóloga Clínica de Orientação Junguiana, Especialista Teoria Junguiana pela Clínica Psiquê/Faculdade Hélio Rocha (BA). Atuou ministrando aulas enquanto especialista na teoria Junguiana. Tem experiência na área da Psicologia Social e Dependência Química.Realiza atendimento a crianças, adolescentes e adultos e é facilitadora do Grupo de Estudos – Kairós e da Vivência Terapêutica – “Roda das Deusas”.

Contato: (27) 9.81325362/9.97802991. /e-mail: indianarapmelo@psicologiaanalitica.com

www.psicologiaanalitica.com

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ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA ANALÍTICA

ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA ANALÍTICA
Início em março/2016

O curso destina-se a psicólogos e profissionais com formações nas áreas humanas, estudiosos da teoria junguiana. O curso tem por objetivos analisar os princípios fundamentais da teoria Analítica de C.G.Jung e situar-se frente os seus próprios paradigmas, fazendo uso dos procedimentos, métodos e fundamentos da Psicologia Analítica, aplicando adequadamente os conhecimentos adquiridos, dentro da ética profissional e do digno de ser trabalhado. Além disso, o curso visa proporcionar conhecimentos para a pesquisa teórica-prática em Psicologia Analítica.

PROGRAMA DO CURSO:
– Introdução a Psicologia Analítica
– Bases e Fundamentos de Psicologia Analítica
– Construção, Desconstrução e Reconstrução em Análise
– Procedimentos e práxis da Psicologia Analítica
– Raízes filosóficas, epistemológicas, científicas e religiosas na obra junguiana
– Aspectos clínicos da análise junguiana
– Psicopatologia e a mitologia como ferramenta simbólica
– Objeto, Imagem e Corpo
– Didática do Ensino Superior
– Técnicas Expressivas e Vivências em Psicologia Analítica I E II
– Metodologia da Pesquisa
– Psicopatologias e Psicologia Analítica I E II

PÚBLICO ALVO: Psicólogos e profissionais das áreas de humanas.

DURAÇÃO: 12 meses (mais o período de entrega do TCC)

CARGA HORÁRIA: 420 horas/aula

PERIODICIDADE: Um final de semana por mês (sábado e domingo de 8h às 18h)

LOCAL DAS AULAS
Centro de Formação Martim Lutero
Rua Engenheiro Fábio Ruschi, 161, Bento Ferreira – Vitória/ES

INVESTIMENTO
Taxa de matrícula: 200,00
Mensalidade: 24 parcelas de R$324,00

PARA OS ALUNOS INSCRITOS ATÉ O DIA 30/11 VALOR PROMOCIONAL DE 24xR$249,00.

Certificadora: UNIFIA – CENTRO UNIVERSITÁRIO AMPARENSE – Mantenedora – UNISEPE – O Centro Universitário Amparense credenciado pela Portaria 195, de 23.01.2006, publicada à pág. 12 , Seção I do DOU nº 17, de 24.01.2006.

INSCRIÇÕES
cognitiva@institutocognitiva.com
www.institutocognitiva.com
(27)99696-8478

Lançamento do Livro: A VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: o olhar da psicologia Junguiana

Acaba de ser lançado mais um livro de grande interesse para a comunidade junguiana “A VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: o olhar da psicologia Junguiana”. Organizam esse livro Sandra Amorim e Marcelo Moreira Neumann. Sandra Amorim já vem de um percurso organizando trabalhos importantes como “A Psicologia Junguiana entra no Hospital” e ” Jung e Saúde – Temas Contemporâneos” ambos com a parceria de Fernanda Aprile.  Acredito que esse novo trabalho com Marcelo Neumann pode ser uma grande contribuição ao pensamento junguiano. Abaixo eu apresento os dados oferecidos pela editora.

Sumário:
– Resiliência e Trauma: Experiências de um trabalho com crianças e adolescentes na abordagem analítica. (Amana Perrucci Machado Comfort, Camila Parducci, Cassia Frankenthal Quinlan, Mariana Cancoro de Matos, Renata Alexopoulos)

-Violência em Estados Borderline (Marcelo Niel)

– O Olhar sobre a violência contra a pessoa idosa: Reflexões a partir do filme ” A balada de Narayama” ( Adriana Leopold)
– Violência Sexual à Luz do Mito de Persérfone: Contribuições da Mitanálise (Sandra Amorim)

– O Processo de Representar o corpo do Ego com novas Roupagens : Considerações sobre Vítimas de queimadura (Karina Toledo Souza Silva).

– Arte e Cultura X Conflito com a Lei: resquícios de violência(Ester de Souza Santos, Guilherme Scandiucci)

– As Filhas de Lilith: Reações frente à violência contra a mulher e o feminino arquetípico( Ana Lúcia Ramos Pandini; Raul Alves Barreto Lima)

-Violência Psiquica: o poder da palavra no processo de individuação (Renata Lang Stapani, Roberta Souza Mattos)

– Contratransferência e Violência ( Fabiana Haddad Kurbhi)

– Adicção e Violência emocional: o prazer que destrói (Karina Simão)

– Desenho-Lazer-Desenho: analise de desenhos de crianças abrigadas através da psicologia analítica (Tiago André Alves da Rocha)

– Bullying: Os descaminhos do herói ao ingressar na adolescência(Pedro Carvalho Santos)

– A Violência Emocional – Sutil, devastadora e Silenciosa (Anyara Menezes Lasheras)

-Contribuições Acadêmicas para estudos do trauma e violações dos direitos humanos com enfoque na psicologia analítica (Marcelo Moreira Neumann).

 

Compre no site da editora: http://goo.gl/fzPuIR

A VIOLÊNCIA NA CONTEMPORANEIDADE: o olhar da psicologia Junguiana
Autor(es): Sandra Amorim – Marcelo Moreira Neumann (Orgs.)
ISBN: 978-85-444-0519-2
Editora: EDITORA CRV
Distribuidora: EDITORA CRV
Disponibilidade: 5 Dia(s)
Número de páginas: 270
Ano de Edição: 2015
Formato do Livro: 16×23
Número da Edição: 1

“Olhar o presente, dentro de uma determinada cultura, apoiando-se em uma teoria tão consistente como a que embasa esta obra é um ato intelectual ousado. Se a teoria proposta por Carl Gustav Jung se destinou, especialmente à intrincada técnica para integrar os diferentes estados da personalidade, buscando que o inconsciente pessoal e o coletivo se afinassem a fim de que fosse alcançado um estado de individuação, imagine a dificuldade em estender esta discussão para as realidades grupais vividas num país como o Brasil e suas formas particulares de violência.
É um livro de duras realidades, no qual a seriedade do escopo teórico se faz presente de maneira tão bem estruturada, que chega a derramar, sobre o leitor atento, expectativas e esperanças para árduas situações do cotidiano de mulheres, crianças, adolescentes e idosos em situação de violências de naturezas diversas.
Os autores colocam com clareza a mão, o fazer e o pensamento de psicólogos analistas que se dispuseram a penetrar estes meandros das dores humanas; portanto, se destaca pela descrição da experiência e nela reside seu valor humanista, ressaltado nas reflexões e propostas de ações, que os autores oferecem ao leitor”.

Autor(es)
MARCELO MOREIRA NEUMANN
Psicólogo, Formado pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo, 1992; Coordenador do CRAMI- Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância do ABCD – de 1993 a 2003; Especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes, pelo LACRI-IPUSP- 1996; Mestre em Psicologia Social pela PUC-SP, 2002; Membro-fundador do Projeto Caminho de Volta – Busca de Crianças Desaparecidas da Faculdade de Medicina da USP e colaborador desde 2004; Doutor em Serviço Social pela PUC-SP pelo Núcleo da Criança e do Adolescente, 2010; Professor e Supervisor de Psicologia Jurídica e de Políticas Públicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2005; Pesquisador do IPUSP – Laboratório de Estudos sobre o Preconceito desde 2009; Supervisor de CREAS de vários municípios do Estado de São Paulo. 

SANDRA AMORIM
Psicóloga, Formada pela PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 1989; Especialista em Psicologia Hospitalar pelo HC-FMUSP – Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, 1991; Especialista em Psicoterapia Junguiana de Abordagem Corporal pela EPPA – Escola Paulista de Psicologia Avançada, 1992; Mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP-EPM – Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, 2006; Integrante da equipe multidisciplinar no ambulatório especializado na assistência a vítimas de violência sexual do CRSM – Hospital Pérola Byington, de 2006 a 2011; Professora no Curso de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie desde 2007; Psicóloga Clínica de orientação junguiana em consultório privado desde 1990.